
Gari que ganha R$ 415 e vive em barraco com família é eleito vereador em Goiânia
Plantão | Publicada em 08/10/2008 às 12h05m
GOIÂNIA - "Por protesto ou admiração, vote no Negão". O slogan do folclórico candidato Negro Jobs, apelido do gari José Batista da Silva, de 49 anos, deu certo. Depois de disputar sem êxito outras três eleições, ele conseguiu se eleger vereador da capital goiana no último domingo com 3.089 votos. Candidato pelo PSL, o futuro vereador até já faz planos para a vida que terá quando assumir a Câmara Municipal. Natural de Mata Verde (MG), Negro Jobs mora com a mãe, uma filha e três netas em um barraco na periferia de Goiânia.
- Agora vou poder realizar o sonho de dar uma casinha melhor para minha mãe - comemora.
É que o salário passará de R$ 415 para R$ 10 mil, sem contar 15 cargos comissionados, carro e telefone corporativo a que terá direito como vereador. Ele também acredita que ficará mais fácil quitar o empréstimo de R$ 4 mil, consignado em folha, que fez para bancar a campanha. Negro Jobs passou os dois últimos dias assediado pelos vizinhos e pela imprensa e não se intimida ao falar de seus projetos:
- Primeiro quero me respaldar de boa assessoria. O projeto fundamental é limpeza urbana e dotar as ruas de sanitários públicos, mas vou lutar também contra a discriminação.
Sorridente, o novo vereador conta que fez campanha usando o uniforme de trabalho, dirigindo uma Brasília amarela ano 1975 devidamente ornamentada com lixo reciclável e sem apoio financeiro.
- Em momento nenhum meu partido acreditava na minha vitória. Os políticos brasileiros só acreditam nos figurões - reclama.
O caminho até a vitória nas urnas não foi nada fácil. O desejo de ser político começou em 1986, quando Jobs se sustentava com um carrinho de vender sanduíches, e certo dia foi impedido de trabalhar por fiscais da Prefeitura.
Para o dia da posse ele prepara o terno preto e uma gravata laranja que é a cor do uniforme dos funcionários da limpeza urbana. Ressalta, porém, que o poder não mudará seu estilo simples. A diferença no tratamento, contudo, ele já percebe. O celular - que só recebe ligações - não pára de tocar.
Infelizmente, como a grande maioria, ele se deslumbrou com o poder e se perdeu no meio do caminho...
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